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13 março, 2012

Entrevista com Leila Rego.



O blog O Gato Leitor traz uma entrevista exclusiva com a escritora Leila Rego, autora dos livros Pobre Não Tem Sorte e Pobre Não Tem Sorte 2 – Alguma Coisa Acontece No Meu Coração, publicados pela Editora All Print.

De onde surgiu a idéia de ser escritora? Em algum outro momento da sua vida você chegou a sonhar com o seu próprio livro? Antes de lançar Pobre Não Tem Sorte?

A escritora que existe em mim aflorou há bem pouco tempo. Sou formada em Turismo, trabalhei muito tempo como Analista de Recursos Humanos, mas não era feliz com o que fazia. Buscando meios de extravazar o estresse eu comecei a escrever. Deixava minha mente vagar e ia escrevendo em um caderno. Dessas histórias, nasceu Mariana, protagonista da série PNTS. Gostei tanto dela que fui criando um ambiente para ela, depois um enredo, outros personagens... Sentia tanto prazer ao escrever a história da Mariana que eu me via em sua história, querendo criar mais coisas, mais cenários, mais complicações... E foi assim, dessa forma natural e despretensiosa que me tornei escritora.
Respondendo sua segunda pergunta, não. Até alguns anos atrás eu não sonhava com meus livros. Hoje eu sonho com eles todos dos dias, inclusive quando estou acordada! =D


Quais são seus autores e livros preferidos? Você se sente influenciada por eles ou algumas de suas obras?

Gosto das autoras que escrevem chick-lits. Comecei lendo Sophie Kinsella e Marian Keyes. Hoje leio todos os chick-lits que são lançados. Inclusive os nacionais.
Se eu disser que Marian e Sophie não me influenciam eu estarei mentindo. Adoro o estilo delas e procuro seguir o mesmo caminho.


Você estudou Turismo e também atuou na área de Recursos Humanos, sua experiência profissional tem alguma presença nos seus livros?

Com certeza. Aliás, tudo o que vivi, todas as minhas experiências profissionais e pessoais, os micos, os erros, uso toda essa bagagem como pesquisa, referência, fonte de inspiração... Acho que todo escritor usa suas experiências para se basear em algum ponto do livro.

A arte da capa dos seus livros tem um tema super colorido e romântico, o que reflete imediatamente no interesse do público jovem, você pode falar um pouco sobre essas capas pra gente?

Quis passar descontração e humor com as capas da série PNTS porque o livro é assim: descontraído e engraçado. Acho que tem tudo a ver com a história de cada um deles. Na capa do livro 1, por exemplo, a Mariana está se olhando no espelho, sonhando com o dia em que vai usar o famoso vestido de noiva... Na capa do livro 2 ela está no computador escrevendo o blog dela – blog que tem grande importância em toda a história do livro. Acho que consegui meu objetivo por que todo mundo gostou das capas.

Mariana é um reflexo dos sonhos de todas as mulheres, ter uma casa e formar sua família, Mariana tem um pouco de Leila Rego? Algum de seus personagens é baseado em alguém que você conhece?

Nenhuma personagem é 100% inspirado alguma pessoa, mas sim, em várias pessoas que vi, conheci ou convivi ao longo da minha vida. O curioso é que a maioria que lê o livro fica com raiva de Mariana, porque ela é fútil demais, consumista e só pensa em moda e em estar em destaque. E eu a fiz assim propositalmente, pois existem milhares de Marianas por aí, dando valor as coisas materiais, grifes, posição social, etc, e se esquecendo do mais importante: nossos valores morais, nossa família e verdadeiros amigos.

Como é o seu contanto com os fãs? Você consegue acompanhar as opiniões sobre os leitores de Pobre Não Tem Sorte?

Supernormal. Procuro responder todo mundo, atender aos pedidos de parceria (quando possível), estar acessível para conversar... Gosto dessa interação com o leitor.

Leila, hoje você é uma escritora, e tem seus próprios fãs, como você se sente com tudo isso?

Me sinto feliz demais quando alguém lê meu livro. É aí que meu trabalho se realiza e eu me completo. Hoje eu gosto do que faço e faço por amor. Posso garantir que estou vivendo um momento perfeito.


Fale-nos um pouco sobre o seu próximo livro, o que vem por aí?


Tenho um livro pronto que vai ser lançado pela editora Gutenberg ainda neste semestre. Ele conta a história de 3 amigas que se conhecem desde a infância. Por enquanto, é só o que posso adiantar... rs
Também estou escrevendo meu quarto livro, onde vou contar a história de André e Juli – personagens que apareceram no PNTS2. Esse último ainda não tem previsão de lançamento.

E quem é Leila Rego?

Sou uma pessoa comum. Nem tão complicada, nem tão perfeitinha. Com minhas qualidades e defeitos... Sou alguém que procura estar em harmonia interna, com as pessoas e com o universo. Sou feliz por ter descoberto na escrita uma atividade que me proporciona muito prazer e que faço com todo o amor.


Se um dia você tiver a oportunidade de escrever em parceria com outro escritor, com quem você gostaria de escrever?

Nunca pensei nisso... Acho que dependeria muito do estilo literário, da história do livro e da “vibe” do momento.

O que a Leila está lendo hoje?

Estou lendo e adorando A Estrela Mais Brilhante do Céu – Marian Keyes. Recomendo o livro (e todos os demais da Marian) para quem curte chick-lit.

Como você gosta de escrever? Você faz pesquisa ou prefere deixar a inspiração cuidar de tudo?

Eu não sei escrever sem o Google do lado (risos). Pesquiso muito, muito e acho que é fundamental para dar realidade na história.

E pra quem tem o sonho de escrever seu próprio livro, que recado você gostaria de dar?

Acho que diria para não desanimar diante das dificuldades. Pelo contrário, pule esta parte e corra atrás de seus sonhos. O caminho pode ser difícil, mas a vitória é muito saborosa. Isso vale para tudo na vida.

E agora, deixe um recado para seus fãs.

Obrigada sempre por lerem meus livros. Escrever e perceber o bem que trago aos outros é uma realização maravilhosa. Continuem apoiando os autores nacionais e me enviando notícias ao acabar de ler minhas obras. Gosto muito de “escutar” o que vocês dizem. Um beijo no coração!
E muito obrigada pela oportunidade de estar aqui no blog falando do meu trabalho. Desejo sucesso e muitos livros em suas vidas!
Beijos,
Leila Rego
www.leilarego.com.br

27 fevereiro, 2012

Entrevista com Ademir Pascale.


Entrevista com Ademir Pascale

Publicado pela Editora All Print, o livro Draculea, O Retorno dos Vampiros vol 2, obra organizada por Ademir Pascale, é uma jornada sombria aos segredos das criaturas noturnas mais famosas de todos os tempos. Ademir Pascale nos conta um pouco sobre esta obra numa entrevista exclusiva para O Gato Leitor.

De onde surgiu a idéia de organizar e escrever seus próprios livros?
Quando um autor de qualquer gênero literário inicia na literatura, encontra barreiras para publicar a sua primeira obra. Geralmente as editoras procuram autores experientes e que já publicaram muitas vezes antes. Foi aí que surgiu a ideia de organizar e publicar as coletâneas. O começo foi difícil, mas hoje já não sinto dificuldades em publicar, seja romances ou coletâneas.

Conte um pouco do seu trabalho no www.cranik.com e como ele influenciou nas suas obras.
Quando tive a ideia de criar o Portal Cranik em 2002, eu não sabia nada de HTML, scripts ou programação. Passei dias lendo livros técnicos para criação de sites e fazendo vários testes em meu computador. Fiz o primeiro layout do Cranik, que era bem modesto e com poucas páginas internas. Encontrei dificuldades em fazer o meu primeiro registro “.com” e posteriormente hospedar. Mas no final tudo deu certo. Com o tempo o portal foi crescendo e acabou se destacando na área de críticas de filmes. Entrei em contato com a FOX Film e no dia seguinte recebi uma resposta positiva de parceria com convites de filmes e brindes. Posteriormente vieram outras distribuidoras parceiras, como a Disney, Buena Vista, Imovision, Columbia Pictures, Playarte, etc. Criei o projeto de inclusão social “Vá ao cinema”, do qual beneficiou milhares de pessoas com o acesso gratuito às salas de exibições. Muitas delas nunca tinham pisado numa sala de cinema e isso foi muito gratificante. O Cranik cresceu tanto, que tive alguns colaboradores para a área de críticas. Alguns deles e que permaneceram por um bom tempo foram: Renato Alves (amigo de infância), Elenir Alves (minha esposa) e Almir Pascale (meu irmão). Alguns outros colaboradores que conheci pela internet e que permaneceram como colaboradores foram Rodolfo Lima, Vinícius Vieira e Junior de Barros. O Cranik e este projeto que criei foi mencionado em vários jornais, rádios, revistas e até na TV. Tive um bom destaque numa matéria que saiu na revista Istoé Gente. Mas, infelizmente e felizmente, depois de muito trabalho incentivando o cinema no Brasil, o brasileiro passou a acessar mais os cinemas e as distribuidoras cancelaram as parcerias, pois não precisavam mais do incentivo. Todas cancelaram sem ao menos agradecer pelos vários anos de parceria e incentivo aos seus filmes. A parte boa é que o brasileiro se interessou mais pelo cinema, além de que ótimos filmes nacionais surgiram nestes últimos anos. Fiz tudo em prol da cultura  . Já as minhas obras, vieram paralelamente aos projetos do Cranik.

Quando Draculea O Livro Secreto dos Vampiros ficou pronto você já planejava Draculea O Retorno dos Vampiros?

Não, não planejava. A ideia surgiu meses depois devido ao sucesso deste primeiro volume. E tenho que dizer que entre as 10 antologias que criei, Draculea: O livro secreto dos vampiros foi a que mais foi mencionada na mídia, isso porque foi a minha primeira antologia.

A ilustração de Draculea O Retorno dos Vampiros, vol 2 é um grande atrativo para os leitores, conte-nos um pouco sobre ela.
Numa parceria com o capista Hugo Máximo, surgiu a capa do Draculea 2. Hugo também foi o responsável pela capa do livro “Sobrenatural: Contos Fantásticos”. Com o tempo, fiz outra parceria com ele e acabamos criando a HQ “Black Angels: Uma organização com fins lucrativos”. Para quem quiser conhecer outros trabalhos dele, basta acessar o seu blog http://matrixordinaria.blogspot.com.

Quem são os outros autores de Draculea? Você já havia trabalhado com alguns deles em suas obras anteriores?

Sim, eu já conhecia a maioria deles. São eles: Adriano Siqueira, Alex Mir, André Bozzetto Junior, Anna Jacinta, Brenno Dias, Cadu Lima Santos, Camila Servello Aguirre, Dione Mara Souto da Rosa, Elenir Alves, Evandro Guerra, Jean Felipe Felsky, Jocir Prandi, Lino França Jr. Lord A., Luciana Fátima, Mariana Albuquerque, Miguel Carqueija, Raphael Vieira, Rosi Caobianco, Sheilla Liz, Sóira Celestino e Sthephanie Pendl.

Como é o seu contato com os seus leitores? Como é conhecer a opinião deles sobre o seu trabalho?
Muito normal  Converso com todos, seja por email, Twitter ou Facebook. A opinião deles é muito importante, afinal, escrevo tanto para mim como para eles.

Como você se sente tendo suas obras publicadas? Qual é o papel das Editoras All Print e Draco nesses sonhos realizados?
Ver suas ideias num trabalho que você se dedicou sendo publicado é muito gratificante. Sempre que tenho um livro publicado, passo horas com ele na mão. Depois o deixo em destaque em minha estante, pois sempre que eu passar em frente a ela possa ver a capa com facilidade...(rs). Já publiquei em várias editoras, sendo elas a Andross, Giz Editorial, Tarja, Terracota, All Print, Draco, Literata, Alyá (Universidade Falada), Estronho, Argonautas e Ornitorrinco.

Fale um pouquinho sobre Poe 200 anos. Você é um grande fã do autor? O que esse livro representa?
Sim, já curtia os trabalhos dele, mas fui gostar mais ainda nos tempos da faculdade, quando estudei a finco a sua vida em literatura estrangeira. Depois acabei conhecendo o escritor Maurício Montenegro, que também era fã do Poe. A ideia do título “Poe 200 Anos”, surgiu dele. E nesta parceria, organizamos e também participamos com um conto neste livro. Para mim, Edgar Allan Poe é e sempre será o escritor nº 1.

E o Projeto Vá ao Cinema? Como surgiu? Conte-nos sobre ele.
Ah, já disse tudo sobre este projeto lá em cima...(rs)

Quem é Ademir Pascale?
Um cara sonhador e que batalha muito em prol dos seus objetivos. Adoro filmes, séries televisivas e HQs, meu filho e minha esposa. Também tenho um sério problema, sou viciado em Coca-Cola 

Já existe algum projeto para um próximo livro? Qual seria?
Sim, um romance, intitulado “O Feitiço de Évora”. Você poderá saber mais sobre este livro no link: http://migre.me/84A2R . E já está certa a publicação dos livros “Passado Imperfeito”, pela editora Argonautas: http://migre.me/84A7d e “Estranhas Invenções”, pela editora Ornitorrinco: http://migre.me/84Ab4 . Outros três projetos também estão em andamento, como “Universo Zumbi”, “Universo Robô” e “Artefatos: Objetos mágicos que corrompem”, tudo em parceria com Daniel Borba e Marcelo Bighetti. Saiba mais sobre estes três projetos aqui: http://www.cranik.com/spartacus.html .

E os seus escritores favoritos e as obras que o inspiraram? Quem são eles?
São Moacyr Scliar, Umberto Eco, Edgar Allan Poe, Oscar Wilde, Mary Shelley e Robert L. Stevenson. Destacando Moacyr Scliar (1937-2011) que foi membro da Academia Brasileira de Letras, do qual tive o prazer de trocar várias mensagens e até entrevistá-lo: http://www.cranik.com/entrevista70.html . E Edgar Allan Poe, que era um escritor de contos, o meu favorito entre eles. E a obra que destaco dos meus escritores favoritos é “O Nome da Rosa”, do Umberto Eco.

Em sua trajetória literária quem são as pessoas que você gostaria de agradecer que o apoiaram? Sua família faz parte do seu trabalho, o apoio deles é um ponto muito forte nas suas conquistas?
Posso dizer que um fator importante em minha trajetória literária foram as dificuldades. Perdi meu pai com apenas 13 anos de idade. Ele saiu para trabalhar e nunca mais voltou. Dois assaltantes tiraram a sua vida, e posteriormente perdi a minha mãe. Meu pai também foi um grande influenciador, posso dizer que até o primeiro a influenciar no meu trabalho para o gênero fantástico, com seus “causos” sobre lobisomens, fantasmas, bruxas e caboclos d’água. Minha mãe influenciou-me para o mundo das HQs, e meu avô materno era um grande colecionador das revistinhas do Pato Donald.

E o que você gostaria de dizer aos seus leitores?
Para que não desistam dos seus sonhos, por mais difícil que parece ser. Deixo aqui o meu muito obrigado pela oportunidade da entrevista. E para quem quiser conhecer mais o meu trabalho, acesse www.cranik.com , www.divulgalivros.org e www.odesejodelilith.blogspot.com . Também estou no Twitter: http://www.twitter.com/ademirpascale .

Nota do Gato Leitor: O blog agradece ao autor do livro Draculea, O Retorno dos Vampiros, Ademir Pascale, não só pela entrevista mas pela oportunidade de divulgar os trabalhos de um autor brasileiro, talentoso e responsável por mais de 10 obras.

07 julho, 2011

Entrevista com Ana Flávia Abreu.


Publicado pela Editora Usina de Letras, ‘’Kôra, O Pressentimento do Dragão’’, livro de Ana Flávia Abreu, é uma história de suspense e mistério. O danielemoreira.blogspot traz uma entrevista exclusiva com Ana, onde ela conta um pouco de sua história e seu trabalho.



Como surgiu a idéia para O Pressentimento do Dragão?


A idéia surgiu de um sonho que tive. Sonhei com uma batalha entre jovens que possuíam dons, uma coisa de louco! Rsrs Cheguei a acordar no meio da madrugada, pois a batalha parecia muito real e com muitos detalhes. Fiquei espantada. A princípio, procurei esquecer a história, mas não deu. Fiquei com o sonho martelando na minha cabeça por uma semana. Daí desisti de resistir e fui pra frente do computador botar pra fora toda a sensação que o sonho tinha me passado. Acho que está dando certo até agora.

Qual foi o seu tipo preferido de leitura na infância e na adolescência? Como o que você leu influenciou seu próprio livro?

Eu li muito Monteiro Lobato, Machado de Assis entre outros. Acho que só o fato de se ler, seja qual livro ou autor for, já nos dá uma certa criatividade. Pois, quando estamos lendo, estamos imaginando tudo aquilo que está diante de nossos olhos, ou seja, transformamos letras em imagens dentro da nossa mente e isso é muito mágico. Acredito que qualquer livro tem o poder de te influenciar de certa forma.

Você estudou em colégio militar e mais tarde estudou Direito, suas experiências anteriores a influenciaram a escolher a carreira Literária?

Não, não influenciaram. Mas acredito que o Colégio Militar me deu uma base muito boa na questão do português e da redação. Acho que o principal culpado deste livro é meu próprio sonho e as pessoas que acreditaram nele. rs

A arte da capa do seu livro dá um ar de mistério e deixa o leitor de cara curioso, fale um pouco sobre ela.

Sim, deixa, sim. Eu amo de paixão esta capa, não me canso de ficar olhando-a na minha prateleira.
A capa quem fez foi a queridíssima Marina Ávila. Acho que ela soube captar bem a essência do livro. Inclusive ela também fará a capa do segundo volume (Kôra e a Masmorra de Atro). O olho do dragão convida o leitor a saber o que há por dentro e por qual motivos a autora escolheu um nome tão diferente. rsrs

Kôra e Herodes trazem emoção e suspense ao livro, como foi criá-los? Algum de seus personagens é baseado em alguém que você conhece? Algum deles é seu favorito?

Nossa, Kôra e Herodes são fantásticos! Eu acho impressionante a facilidade que eu tenho para colocá-los no livro. É como se eles mesmos fizessem a própria história. Conforme eu ia desenrolando a história eu descobria algo novo que poderia acrescentar nos dois. Então foi super gostoso criá-los, assim como todo o resto. Sim, há personagens que estão no livro que de certa forma marcaram minha vida. Mas nem todos, só alguns. Hum, esta última pergunta é difícil. Amo de paixão todos eles, mas acho que me identifico um pouco com Kôra, pois sou teimosa à beça! rsrs

Como é o seu contato com os fãs? Você consegue saber o que rola entre os fãs de Kôra?

Nossa!! Eu ADORO meus fãs!! São simplesmente maravilhosos. Recentemente recebi uma carta de uma garota falando sobre meu livro. Gente! Uma carta!? Quem escreve cartas hoje em dia?? Então, achei isso muito-mega-ultra fofo da parte dela. Pois gastou seu tempo, papel e tinta para escrever o que tinha achado do livro e, isso pra mim foi FANTÁSTICO! Então já viu... me derreti toda. (abafa!) Outra vez recebi outra carta de uma leitora que me mandou até um chaveirinho da cidade dela, coisa mais lindinha! Tenho uma caixa com as cartas, e-mails, recados e tudo o que você imaginar que eu ganho dos meus fãs, tudo guardadinho. Procuro sempre responder todos os e-mails com o maior carinho e respeito, pois vocês merecem! O que seria de um escritor sem seus leitores? Nada!

Você é uma escritora, tem seu próprio livro. Como você se sente ao ver seu trabalho realizado e dando frutos para novas histórias?

Uau! Não existe felicidade maior que essa – digo profissionalmente. A sensação de você ver que as pessoas compram seu livro e depois mandam um feedback positivo, não há nada que pague isso. O reconhecimento do nosso trabalho nos impulsiona a querer seguir adiante. Nos mostra que estamos no caminho certo e que podemos melhorar ainda mais.

Fale um pouquinho sobre o 2º volume de Kôra. O que vem por aí?

Hummm. Kôra e a Masmorra de Atro está simplesmente imperdível!  Eu costumo dizer que gostei mais de escrever o segundo volume do que o primeiro. Acho que está mais dinâmico, com mais romance, ação,suspense, drama e muitos mistérios para serem desvendados. Ah sim, também está um pouco mais picante que o primeiro. Rsrs Kôra está mais madura neste livro e com mais problemas para serem resolvidos. Então, acredito que irão amar este segundo volume.

E sobre Ana Flávia Abreu, quem ela é?

Afff!! Agora o negócio apertou. Hahaha Bem, Ana Flávia é uma garota sonhadora que adora desafios e batalha para que tudo dê certo. Gosto de ler, mas AMO escrever.  Descobri, de uma forma diferente, amor pela escrita e desejo pelos livros. Nunca me imaginei sendo uma escritora e uma leitora voraz, mas a vida nos prega peças. Adoro conversar com as pessoas e saber suas histórias. Então, se me vir por aí, venha me dizer um oi. =)

Se um dia você tivesse a oportunidade de escrever em parceria com outro escritor, com quem você escreveria?

Caramba! Só pergunta difícil! Hahaha Vamos por partes. Se pudesse ser autor nacional seria: Eduardo Spohr. Se pudesse ser autor internacional seria: Lori Foster ou Richelle Mead

Hoje, o que você está lendo? Quem são seus escritores favoritos?

Hoje estou lendo “Os irmãos Buckhorn” de Lori Foster, que por sinal adoro os livros dela. Gosto muito de Willian P. Young e Richelle Mead.

Como você gosta de escrever? Tem algum lugar aconchegante ou hora do dia que te inspire mais?

Eu tenho meu escritório onde escrevo, mas também gosto de escrever na sala. Com relação ao horário, costumo escrever entre a noite e a madrugada, que é a hora em que meu filhote está dormindo e tenho mais silêncio também. Enfim, acho que as madrugadas me inspiram mais.

O que você tem a dizer para aqueles que, como você, tem um sonho de ser escritor?

Acho que deve perseguir este sonho. Sim, perseguir. Pois para você conseguir fazer qualquer coisa dar certo, você precisa correr atrás daquilo. E principalmente, acreditar no seu trabalho, pois se você não acredita os outros não farão isso por você. Acho que para ser escritor você nunca deve parar. Nem parar de ler, nem de escrever e muito menos de aprender. Ser escritor é ser um eterno aprendiz!

E agora, o que você gostaria de dizer para os seus leitores?

Eu só posso agradecê-los imensamente pelo carinho e atenção. Dizer que amo o que faço e que possam ver isto refletido nas páginas dos meus livros. A maneira que tenho para agradecê-los é escrevendo mais e melhor, então procuro melhorar sempre para que continuem gostando da série Kôra. Pois em breve teremos outras séries. Aguardem!

02 março, 2011

Entrevista com Antonio Luiz M.C.Costa.





Publicado pela Editora Draco, Crônicas de Atlântida, livro de Antonio Luiz M. C. Costa, é uma jornada épica pelo mundo dos deuses. Em uma entrevista exclusiva ao danielemoreira.blogspot Antonio Luiz nos conta um pouco sobre seu trabalho e sua trajetória.

De onde veio a ideia inicial de Crônicas de Atlântida?

Meus motivos são parecidos com os de China Miéville ao escrever Perdido Street Station, embora só tenha descoberto seus artigos e entrevistas sobre o assunto depois que meu trabalho já estava quase pronto. Como ele, eu fiquei fascinado com a construção sistemática e minuciosa do mundo imaginário da Terra Média nos romances de Tolkien, mas não gostei do tom machista, conservador e conformista dos seus livros. Quis criar um mundo igualmente rico de fantasia épica, mas ambientar nele uma história de tom feminista, progressista e rebelde. Além disso – preocupação que Miéville não tinha – queria me afastar da Europa como modelo, criando um mundo tropical e sensual a partir de elementos de culturas das Américas, África e Ásia. Por essa e por outras razões, meu mundo resultou bem diferente do New Weird de Miéville. Por um lado, suponho que parece menos “estranho”, porque é baseado mais em mitos culturais e menos na imaginação pessoal. Por outro, meu tom é mais alegre e otimista.

Conte um pouco do seu trabalho na revista Carta Capital e como ele influenciou no desenvolvimento do seu livro.

O romance lida muito com temas com que eu trabalho na revista, como questões de história, cultura, economia e política internacional. Mesmo tratando-se de fantasia mágica, procurei descrever uma sociedade razoavelmente realista, com costumes e tradições coerentes e conflitos políticos plausíveis, aproveitando muito do que eu aprendi sobre ciências sociais na academia, na vida e na cobertura jornalística desses temas. Além disso, é claro que a prática constante na revista ajuda muito a escrever de forma clara, densa e concisa também na ficção.

Quando começou a trabalhar na idéia principal de Crônicas de Atlântida, foi possível se manter na mesma linha de raciocínio, ou a história foi tomando seus próprios caminhos?

Não tive um plano detalhado do enredo desde o início. Imaginei a situação política e cultural, os personagens principais e os soltei no mundo, tentando me pôr na pele deles e imaginar o que eles, sendo quem são, fariam ao se defrontar com os eventos e a realidade que preparei, sem ter um roteiro predeterminado. Eles foram improvisando a história à sua maneira, por assim dizer.

A ilustração de capa do livro também não deixa nada a desejar à história, como ela foi elaborada?
Quem a criou foi o Erick Santos, tanto editor quanto ilustrador. Representa uma cena próxima do final, um enfrentamento entre a deusa atlante Chiuknawat e o deus agarti Mavrit, representando-os com os tipos físicos e trajes que imaginei, tendo ao fundo uma estilização de Atlântis. O estilo imita a arte mural da civilização minoica da ilha de Creta, porque esta foi frequentemente associada à Atlântida por vários autores, porque tem o tom exótico e sensual que eu queria dar à história e porque a arte mural é importante também na civilização que eu imaginei.

E os seus personagens mais marcantes, Tiakat, Tjurmyen e Sistu, você tem algum preferido? Alguém em sua vida influenciou na criação de algum deles?

Nenhum deles é baseado em alguma pessoa real: todos eles foram criados a partir de pedaços de pessoas que conheci na ficção ou na vida real (inclusive eu mesmo). Eu fiz o possível para tornar os três interessantes e lhes dar funções igualmente importantes, mas acredito que Tjurmyen, ao fim das contas, se revelou a melhor personagem.

E o contato com os fãs? Você costuma manter contato com os seus leitores? Como é conhecer a opinião de quem admira o universo de Kishar?
Olhe, várias pessoas me ajudaram lendo trechos ou leram versões anteriores, mas com a preocupação de criticar, procurar erros e dar sugestões. A versão final, que até agora só foi vista por mim mesmo e pelo editor e pelos revisores, sempre de maneira profissional. Tudo isso para dizer que estou ansioso por saber a opinião de leitores que comprem ou ganhem o livro simplesmente para se entreter e saber se eles realmente admiram a obra e o universo que imagine.

Ter seu próprio livro é um sonho antigo ou uma surpresa do destino?

O livro é um projeto que começou a ser concebido há uns dez anos e a ser escrito há seis ou sete anos, embora meu interesse pelo mito de Atlântida e minhas fantasias sobre como ela seria venham desde a infância. Não teve nenhuma surpresa, apenas minha vontade, meu esforço e a oportunidade dada por um emprego estável e uma companheira amorosa que me deram o tempo e a tranquilidade para desenvolvê-lo.

Fale um pouquinho sobre Crônicas de Atlântida, a Enciclopédia, que relata todos os detalhes do universo de Kishar.

Ao criar o mundo de Crônicas de Atlântida, pus nele muitas coisas interessantes que não puderam ser citadas no romance, ou o foram só de passagem e com poucas explicações. No início, pensei em incluir apêndices detalhados, como os do final de O Senhor dos Anéis, mas depois achei que o livro ficaria sobrecarregado e ainda assim não conseguiria mostrar tudo que tinha criado. Resolvi então fazer isso numa enciclopédia virtual, que na verdade é maior que o próprio livro: tem mais de 700 páginas.

Quem é Antonio Luiz M. C. Costa?

É principalmente alguém que se esforça por viver de maneira a fazer só aquilo em que realmente acredita e acreditar naquilo que faz.

Como foi o trabalho de pesquisa feito para compor os cenários e personagens das Crônicas?

Eu tenho certa familiaridade com os fundamentos desse cenário desde muito cedo, devido à curiosidade sobre o mito da Atlântida que me foi despertada por uma avó que acreditava em teosofia e esoterismo. A pesquisa consistiu em procurar mais detalhes da lenda e refinar esse cenário, preenchendo os vazios com elementos de história, linguística, cultura e antropologia tirados da realidade de povos não-europeus.

Você tem planos para um próximo trabalho? Conte-nos um pouco sobre esses planos.

Tenho dois contos prontos e encaminhados para duas coletâneas em andamento da Draco. Um deles é uma fantasia urbana ambientada no mundo de “Crônicas de Atlântida”. Outro é de caráter dieselpunk, em um mundo que eu chamo de “Mundo dos Outros 500”, uma realidade alternativa na qual a história do Brasil toma rumos ainda mais estranhos do que no samba do Sérgio Porto (à qual também pertence meu conto que saiu na coletânea “Steampunk” da Tarja Editorial). Tenho ainda contos de fantasia “avulsos”, como os que foram publicados na antologia “Eclipse ao pôr do sol” e noveletas de ficção científica que possivelmente resultarão em uma nova antologia, ainda sem nome. Depois disso, trata-se de avaliar a recepção de “Crônicas de Atlântida”: se fizer sucesso, vou pensar numa continuação, ou em outro romance no mesmo universo. Se não, vou me concentrar em um romance no mundo dos “Outros 500”, que comecei a escrever.

Quais são os escritores e obras que você mais admira, que te inspiraram a escrever também?
São muitos, mas nenhum que eu possa identificar como uma influência predominante no livro. Há um toque de Petrônio do Satyricon, do Jorge Amado da segunda fase (Dona Flor e seus Dois Maridos, por exemplo), das Mil e Uma Noites, de contos tradicionais chineses e de outras obras de tom sensual e picaresco e ao mesmo tempo há um olhar crítico e irônico que vem de obras de Marx, Brecht e Nietzsche, sem esquecer de Platão, o verdadeiro “pai” de Atlântida. E é preciso citar também as influências invertidas, por assim dizer, dos teósofos que escreveram sobre o continente perdido e de J. R. R. Tolkien, que de maneira ingrata e impiedosa virei de cabeça para baixo.

Quem foram as pessoas que te apoiaram na sua trajetória até a realização de Crônicas de Atlântida?

As muitas pessoas que me ajudaram a criar o livro propriamente dito com suas críticas e sugestões são citadas nos agradecimentos. Vale destacar entre elas o escritor Roberto Causo, que deu as primeiras e mais valiosas orientações, quando o livro ainda estava em embrião. Igualmente importante foi o Erick Santos, que além de ler, criticar, editar o livro e criar uma capa excelente, cobrou no final acréscimos que resultaram em cinco capítulos adicionais que, creio eu, deixaram o livro muito melhor.

E o que você gostaria de dizer aos seus leitores?

Que espero que gostem e se divirtam muito com o livro e que ele também os faça pensar, mas que estou muito interessado em saber sua opinião, seja qual for.